Procura externa no Porto e Norte em 2025: Crescimento robusto, mais diversificado e menos sazonal

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O Porto e Norte encerrou 2025 com 9.293.943 dormidas externas, mais 400.506 do que em 2024 (4,5%). O desempenho ficou muito acima da média nacional (0,79%), contribuindo com 90,0% do ganho líquido de Portugal em dormidas externas. O crescimento revelou-se mais resiliente e diversificado: 28 mercados cresceram e apenas 5 recuaram, com perdas concentradas em poucos emissores e ganhos distribuídos por múltiplos mercados. Em termos de sustentabilidade, destaca-se o crescimento fora do pico sazonal — época baixa (+1,77%) e shoulder (+7,53%) — superando claramente a dinâmica nacional nessas janelas. Em paralelo, os proveitos do alojamento no Norte cresceram +8,8% em 2025, acima da média nacional (+7,2%), reforçando a leitura de um crescimento não só em volume, mas também em valor.

Em 2025, o Porto e Norte consolidou a sua trajetória de crescimento internacional, com 9.293.943 dormidas de não-residentes (hóspedes internacionais). Face a 2024, o aumento foi de 400.506 dormidas, ou seja, um crescimento de 4,5%.

No mesmo período, Portugal registou 56.958.740 dormidas internacionais, mais 444.981 do que em 2024, o que se traduz num crescimento muito ténue de 0,79%. Em termos relativos, o Norte cresceu cerca de 5.7x acima da média nacional e representou 90% do ganho líquido nacional em dormidas de não-residentes / procura externa.

Crescimento com base mais ampla: muitos mercados a subir, poucas quebras

O saldo positivo do Norte resulta de 527.673 dormidas ganhas em mercados em crescimento, parcialmente anuladas por 127.167 dormidas perdidas em mercados em retração. No total, de 33 mercados considerados, 28 cresceram e apenas 5 recuaram.

Comparativamente, em Portugal, 23 mercados cresceram e 10 recuaram, com um perfil de “erosão” mais elevado: por cada dormida ganha, o Norte perdeu 0,24, enquanto Portugal perdeu 0,70 (rácio perdas/ganhos).

Principais contributos por mercado: reforço anglo-saxónico e aceleração asiática

Os maiores impulsos ao crescimento no Norte em 2025 (variação absoluta e relativa de dormidas externas, 2025 vs 2024) foram:

  • Reino Unido: +91.033 (+13,6%)
  • Estados Unidos: +69.163 (+6,4%)
  • Coreia Do Sul: +52.471 (+46,8%)
  • Alemanha: +32.912 (+5,1%)
  • China: +32.318 (+30,2%)
  • Canadá: +25.433 (+9%)

As principais quebras concentraram-se em poucos mercados tradicionais:

  • França: -53.379 (-5,4%)
  • Espanha: -42.075 (-2,6%)
  • Brasil: -26.292 (-4,5%)

Este padrão sustenta uma leitura de crescimento mais resiliente: as perdas estão concentradas e, por isso, permitem ações de recuperação mais direcionadas, enquanto os ganhos são mais distribuídos por múltiplos mercados.

Diversificação do crescimento sem fragilizar o “core”

No Norte, cerca de 68,2% do crescimento veio de mercados fora do Top 10 (incluindo “Outros Estrangeiros”), mas o próprio Top 10 também contribuiu positivamente (+127.279).

Em Portugal, o ganho líquido de 2025 foi assegurado sobretudo fora do Top 10: os 10 maiores mercados tiveram um contributo líquido negativo (−556.762), compensado por crescimentos nos restantes mercados e em “Outros Estrangeiros”.

Melhor sinal de sustentabilidade: crescimento fora do pico sazonal

Em 2025, o Norte cresceu também na época baixa (Novembro–Março): +41.778 dormidas externas (1,77%), quando Portugal recuou nessa janela (−158.490; -1,04%).

Na “shoulder season” (Abril, Maio e Outubro), o Norte aumentou 7,53% (+191.790), desempenho claramente acima da média nacional na mesma janela (2,58%).

Dispersão territorial dentro do Norte: crescimento também fora da AMP

Num ângulo de sustentabilidade territorial, os dados por NUTS III mostram reforço fora do principal polo urbano. Em 2025, todas as sub-regiões do Norte cresceram em dormidas totais; cerca de 30,2% do aumento regional ocorreu fora da Área Metropolitana do Porto.

Destaques fora da AMP (dormidas totais, var. 2025/2024):

  • Alto Tâmega: 8,25%
  • Tâmega e Sousa: 6,46%
  • Alto Minho: 6,15%
  • Douro: 3,90%

Nas dormidas externas, 6 das 8 NUTS III cresceram, com especial destaque para:

  • Douro: 8,69%
  • Alto Minho: 3,04%
  • Cávado: 2,76%

Proveitos do alojamento: crescimento acima da média nacional e maior dinamismo fora do aposento

Em 2025, o Norte registou 1.154,3 M€ de proveitos totais no alojamento, com um crescimento de +8,8%, acima do aumento observado em Portugal (+7,2%). O desempenho é sustentado tanto pelos proveitos de aposento (898,3 M€; +8,1%) como, sobretudo, pelo forte crescimento dos outros proveitos (256,0 M€; +11,5%), que incluem componentes complementares à estadia (ex.: F&B, serviços e receitas acessórias). Em termos de estrutura, o Norte apresenta uma repartição semelhante à do país, com os proveitos de aposento a representarem 77,8% (Portugal: 76,7%) e os outros proveitos 22,2% (Portugal: 23,3%), mas com um sinal relevante: a componente “não-aposento” cresce a um ritmo superior, reforçando a capacidade de captura de valor por estadia.

Implicações para 2026

Os resultados de 2025 reforçam três prioridades: (i) consolidar o crescimento fora do pico (época baixa e shoulder), (ii) manter tração nos mercados estruturantes — que dão escala e previsibilidade — enquanto se expande de forma seletiva em mercados em aceleração, e (iii) continuar a promover uma maior dispersão territorial dos fluxos, reforçando a atratividade das sub-regiões fora da AMP.

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