Mercados a conquistar na ‘shoulder season’ e na época baixa

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O Porto e Norte de Portugal tem hoje condições para captar viajantes que fogem às multidões, procuram experiências mais autênticas e valorizam destinos capazes de oferecer clima ameno, cultura, natureza e qualidade de vida – precisamente nos meses em que a procura tradicional abranda. A 'shoulder season' e a época baixa estão a ganhar força em mercados-chave como Alemanha, EUA, China, Brasil, Coreia do Sul e o mercado nacional – e alguns outros países europeus. Para os operadores da região, este é o momento de agir: há novos perfis de turistas, com maior poder de compra e disponibilidade, que podem ajudar a prolongar a atividade ao longo de todo o ano.

Viajar entre a alta e a baixa temporada, naquela que é chamada ‘shoulder season’, deixou de ser uma opção residual. Tornou-se uma tendência consolidada, reforçada pela procura de destinos com menor pressão turística, clima mais ameno e experiências de maior qualidade. Países como a China, os EUA e vários mercados da União Europeia revelam um crescimento consistente das viagens nesta fase de transição, ao ponto de muitos operadores internacionais criarem programas específicos para estes meses.

A motivação financeira não é determinante: quem viaja nesta altura tende, até, a ter rendimentos mais elevados e a procurar mais conforto, autenticidade e bem-estar. O que realmente impulsiona esta procura é a possibilidade de evitar sobrelotações, contornar ondas de calor, desfrutar de maior disponibilidade de serviços e viajar com mais calma – sobretudo para segmentos de pessoas mais velhas ou com horários flexíveis.

No Reino Unido, outubro de 2024 registou um aumento de 27%, face ao ano anterior, nas viagens para destinos mediterrânicos, com Portugal entre os beneficiados. A análise dos números do alojamento mostra que, ao longo da última década, a proporção de dormidas europeias na ‘shoulder season’ cresceu de forma consistente.

Nos EUA, um terço dos consultores de viagens relata um crescimento nas reservas neste período, a que se soma um aumento da reserva espontânea e de última hora – uma oportunidade clara para operadores que consigam agilidade e ofertas flexíveis. Um inquérito da Travelsavers e da NEST (Network of Entrepreneurs Selling Travel) mostra que cerca de um terço dos consultores afiliados nestas redes viram as reservas na época baixa aumentar, em relação ao ano passado; 35% afirma que os números se mantêm.

Na China, a tendência é ainda mais expressiva: entre setembro e novembro de 2025, estima-se que 155 milhões de chineses tenham viajado, muitos deles FIT (Free Independent Travelers, pessoas que viajam de forma independente, marcando as suas viagens sem intermediários), bleisure (combinam negócios e lazer) ou adeptos de cruzeiros, atraídos por experiências culturais, sustentabilidade, bem-estar e preços até 32% mais baixos do que no verão.

Para o Porto e Norte, estes sinais representam uma oportunidade direta: captar turistas que querem evitar rotas saturadas, privilegiam autenticidade e procuram destinos menos explorados. O território ajusta-se perfeitamente ao crescimento do turismo imersivo, das city-breaks mais tranquilas e das experiências culturais, gastronómicas e de natureza em ritmo lento. Este é o momento de posicionar a região como um destino ideal para viajar durante todo o ano.

Na época baixa – sobretudo de dezembro a março – o comportamento dos viajantes europeus e internacionais revela uma vontade crescente de viajar em períodos tradicionalmente menos concorridos.

Os dados do Travel Trends report by Mastercard Economics Institute, um relatório baseado em dados de transações agregados e anónimos, demonstram que a proporção de dormidas na União Europeia, durante a época baixa, aumentou 1,8 pontos percentuais na última década.

Segundo o Monitoring Sentiment for Intra-European Travel report, promovido pela European Travel Commission (ETC), os europeus vão continuar a viajar na época baixa, confirmando uma tendência que já se verificava no ano passado.

Mais uma vez de acordo com os dados da ETC, 73% dos europeus ponderavam viajar entre outubro e março, com especial destaque para:

  • outubro/novembro (39%);

  • época natalícia (30%);

  • fevereiro/março (21%);

  • Ainda não decidiu (10%).

Mais de metade (52%) quer viajar para o sul da Europa, e Portugal surge no top de preferências, lado a lado com destinos como Espanha, Itália ou Grécia:

  • Espanha, 12%

  • Itália 8%

  • França 8%

  • Alemanha 6%

  • Reino Unido 5%

  • Portugal 5%

  • Grécia 5%

  • Áustria 4%

  • Turquia 4%

  • Croácia 3%

O interesse na zona mediterrânica cresceu, enquanto os destinos na Europa de leste atraem menos viajantes: apenas 4% dos turistas planeiam viajar para essa região. “Estes resultados refletem um ajuste contínuo no comportamento de viagem, com mais europeus a optar por um clima ameno, conforto e preços acessíveis fora da época alta de verão”, conclui o relatório.

Os turistas provenientes de Itália, Reino Unido, Bélgica, França e Espanha preferem destinos mais famosos, enquanto suíços, austríacos, neerlandeses, polacos e alemães elegem destinos menos explorados ou mais remotos.

O documento revela igualmente os fatores que influenciam a escolha do destino:

  • segurança (20%)

  • clima estável e ameno (15%)

  • viagens a preços apelativos (13%)

  • baixo custo de vida (10%)

É uma procura sustentada por fatores claros: segurança, clima ameno, preços competitivos e qualidade de vida. E é especialmente forte nas faixas etárias 45-54 e 55+, que tendem a viajar menos vezes, mas com um maior investimento por viagem, procurando conforto, valor e experiências mais profundas.

Para o Porto e Norte, esta é uma fase do ano em que a região pode diferenciar-se: clima relativamente moderado, cidades vibrantes, natureza preservada, boa gastronomia, aldeias e paisagens rurais acolhedoras e uma crescente oferta cultural e de bem-estar.

Além disso, 60% dos viajantes europeus querem ficar no mesmo destino durante toda a viagem, reforçando o apelo do turismo imersivo das escapadas gastronómicas e das experiências de natureza e de património.

Existem oportunidades claras para os empresas da região:

  • promover experiências fora do circuito clássico, valorizando produtos autênticos, artesanato, gastronomia local ou workshops culturais;
  • aproveitar o aumento da procura por viagens familiares na época natalícia, criando ofertas temáticas e programas especiais;
  • posicionar o território como destino de bem-estar, sustentabilidade e tranquilidade;
  • comunicar segurança (sempre com as devidas cautelas), flexibilidade e acessibilidade, fatores decisivos para muitos visitantes;
  • facilitar reservas flexíveis e informação meteorológica fiável, que respondam à preocupação crescente com o impacto das alterações climáticas nas datas de viagem.

A época baixa não é apenas um período de menor atividade – é um mercado emergente, alimentado por turistas que procuram qualidade, silêncio, autenticidade, preços equilibrados e experiências mais humanas. Para os operadores do Porto e Norte, é um terreno fértil para reforçar a competitividade, suavizar a sazonalidade e captar viajantes que valorizam exatamente aquilo que o território sabe oferecer melhor: hospitalidade genuína, diversidade de paisagens e experiências memoráveis ao ritmo certo.

 

O comportamento dos mercados no Porto & Norte: o que dizem as curvas de sazonalidade

De acordo com a tabela acima, de entre os mercados que constituem o Top 20 no que diz respeito ao volume de dormidas, em 2024, no Porto e Norte de Portugal, destacam-se a Coreia do Sul, o Brasil, a China, o mercado nacional, os Estados Unidos da América, a Polónia e a Alemanha, como aqueles que representam um perfil de procura menos sazonal, com pelo menos dois terços das dormidas a acontecer fora dos meses de Julho, Agosto e Setembro.

A leitura conjunta das curvas de sazonalidade e do peso relativo das dormidas ao longo do ano confirma que a época baixa no Porto e Norte já não é um intervalo “silencioso”, mas um espaço de oportunidade. Mercados como a Coreia do Sul, Brasil, China, o mercado nacional, os Estados Unidos, a Polónia e a Alemanha revelam padrões de procura mais distribuídos e uma presença significativa fora do pico de verão, reforçando a relevância de estratégias que valorizem autenticidade, bem-estar, natureza e experiências culturais ao ritmo certo. Estes mercados não só ajudam a suavizar a sazonalidade, como representam um potencial de crescimento sustentável — oferecendo às empresas da região a possibilidade real de prolongar a atividade, diversificar produtos e fidelizar viajantes que procuram exatamente aquilo que o território sabe entregar melhor ao longo de todo o ano.
Para capitalizar este potencial, é crucial que campanhas e ações de marketing sejam cada vez mais objetivas: orientadas para produto, claras na proposta de valor das ofertas de inverno e suportadas por segmentação rigorosa e timing adequado. Só assims erá possivel transformar interesse em reserva, fortalecendo a conversão durante a shoulder e low season e consolidando um ciclo mais equilibrado e sustentável para toda a região.

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